Nos culpamos, nos maltratamos, nos torturamos. Por nossa culpa, por culpa alheia. As vezes a culpa é da má administração, da má distribuição da afetividade. Em certo disturbios e descontroles emocionais, o coração sangra e a mente para, não há como domar, não há o que fazer. É um discarrilhamento tão intenso, que não há nada que o faça seguir seus trilhos, o seu caminho. Diáriamente estamos lutando contra nosso demónios interiores, com nosso pecados, nossas falhas, mas ainda assim, o que fazemos não é o necessário para que não sejamos seres errantes. Há males que vem para o bem, já me saturei de tanto ouvir esse 'vulgo dizer', mas me intriga em não saber até que ponto esses males realmente nos faz bem. Será que colocamos muita expectativa nos outros, esperamos demais, confiamos cegamente ou até mesmo temos muita fé? Ainda não somos dotados de sabedoria, nem tão pouco de discernimento pra guiar o pouco da sabedoria que possuímos. Tenho muito medo. Medo, porque sei que essas coisas me fortalecem, porque sei que esse fortalecimento só favorece a minha frieza, alimenta a minha insensibilidade. Por fim, o que aprendi é que a decepção não mata ninguém, ela apenas nos ensina a viver, sendo bom ou ruim, a vida é tocada pra frente.
'Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para...
Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...
Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...
O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...
Será que é tempo
Que lhe falta para perceber?
Será que temos esse tempo
Para perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara..
Tão rara...'