Imagino que apagar emails é uma forma de apagar a memória. Rasgar cartas, músicas e poemas são quase um alzheimer. Deleto fotos como se fossem palavras escritas à lápis. A verdade é que nenhum dos modos são eficientes, eles simplesmente falham. Falham a cada patética tentativa. Resolvi tirar a poeira do meu passado, fui vasculhar as migalhas que ficou. Ironicamente (ou não) eu gostei! Lágrimas tentaram escapar, o coração apertou, ri de mim, me xinguei e fiz chacota com a minha cara! Introspecção? Não. Eu diria que foi um resgate. Resgate da parte boa que eu deixei partir quando me envergonhei generalizadamente, enterrei tudo! O que era útil, o que não era. O que era fútil, o que não era. Deixei tanta coisa de lado, por vergonha de outras que transbordaram por cima delas. Sufoquei o que de bom existia em troco do silêncio. Deixei apenas a mente fazer barulho com ela mesma, não permiti a manifestação de absolutamente nada. Mas hoje foi diferente, apontei o dedo na minha cara por ter feito tudo isso! Senti vergonha por ter sentido vergonha do que sou, ou do que fui, sei lá. Apelei, tive que ouvir músicas, tive desdobrar cartas que jurei que nunca mais abriria-las, tive que ver fotos que deixei a memória apagar o cenário delas, tive que ouvir gravações minhas pra aguçar um pouco da paixão por certas coisas e pessoas. De pouco a pouco um parasita foi tomando de conta de incontáveis aspectos meus, e EU permiti! Eu aceitei a condição de cegueira parcial, aceitei ser degenerada e gerada por algo que não me nutria. Não me dei conta do preço que me propus a pagar, por instantes não pude ver o jogo que eu perdia, o xeque-mate que um pequeno pião me deu ao reinar tudo o que era meu, o que era natural e sincero. Olhando pra trás vejo os amores, os desamores, as bobagens que eu achava o máximo, as inconsequências que eu sempre fui convicta que não daria em nada. Compreendo um pouco mais o porquê de muita coisa, da mesma forma que ainda tem fatos que nunca entraram na minha cabeça, peças que jamais se encaixarão no meu quebra-cabeça. Isso é amadurecer ou recordar? Não sei, mas sinto orgulho do que vi.
' Deixava aquela música invadir a sala, pra preencher o espaço que você deixou, quem sabe você volta.. até a música parar..'
terça-feira, 15 de outubro de 2013
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Gasp.
E quando o controle já não te pertence mais? O comando já
não é mais seu. A vontade de voltar ao que era antes, apenas se enfraquece.
Admita, você já está chegando ao ponto mais desprezível da fraqueza! Vamos!
Avalie-se, confesse que a sua força já não é mais a mesma. Verdade é: ninguém
está pra ser sozinho, cada um tem o seu lugar. Onde está o seu? Será que você
achou o seu lugar ou ainda vaga em busca dele? Tenho pra mim, que você pode até
ter achado, ou quem sabe ‘acha que achou’, mas você ainda vive só. Simples, tua
mania egoísta sempre acaba afastando tudo e todos do teu redor, não me fale que
é mentira! Porque aí sim, seria muita hipocrisia da sua parte! Mais ainda! Você
pode até tentar me convencer do contrário, mas você bem sabe que não é assim. O
quadro se inverteu, agora a dependência demasiada está pendendo pro seu lado,
você corre, mas não consegue se livrar disso, nem da culpa que carrega por
isso. Sim! Na verdade você tem culpa, culpa por ter deixado tudo chegar ao
ponto que chegou sem ao menos abrir os olhos e assumir o controle da situação.
O que te custa admitir que você chegou no ponto em que você mais temia? Dói
esse tipo de aceitação, é complicado. Vomite suas palavras, e faça-me o favor
de engoli-las novamente, porque quem sabe assim possa surtir efeito em você.
Posso errar em me colocar nessa posição, mas você e essa sua dificuldade de
aceitar e admitir os erros a cada dia te sufoca mais, essa tua covardia tem te
afundado mais. Você tem agido como uma espécie de âncora pra quem te ama, e me
pergunto, a troco de quê? Porque você tem feito isso com outros, com quem te
ama, com você?! É justo?! Vale a pena?! Faço das tuas palavras as minhas, mude
enquanto ainda há tempo, aproveite enquanto toda mudança coopera para o bem, e
lembre-se da direção sem velocidade, ela é mais importante. Busque aquele
encanto que você injetava facilmente nas pessoas, aquele que funcionava quando
a sua essência era verdadeira e vinha da alma. As tuas conversas bobas que
tinha o poder de mudar mentes, vidas, sorrisos... Busque quem verdadeiramente você é, não se deixe perder em meio das dificuldades, não se deixe levar pela onda ruim que te afoga e assume a superfície por você. Corra, nunca é tarde demais.
' Nunca é tarde pra recomeçar e deixar tudo aquilo que passou, nunca é tarde pra desejar a estrela que jamais brilhou, só é preciso arriscar uma vez, pra provar que o novo começou, nunca é tarde pra mudar e deixar tudo por conta do amor..' [L.Q]
domingo, 2 de junho de 2013
Unburden.
Serei breve. Me cansei. Cansei de empurrar tudo com a barriga. Cansei de deixar o comodismo ser mais forte que a força de vontade. Cansei de tentar ser forte e não ser. Cansei levar de levar tudo e não poder descarregar nada. Pra falar a verdade, o cansaço tem me vencido. Pronto! Talvez essa seja a verdade! Estou sendo vencida pelo cansaço. Fiquei com os pés fora do chão, perdi por alguns segundos a visão do real, senti a realidade escoando por meus dedos, vesti a armadura da covardia. Como é fácil deixar coisas assumir a sua culpa, ou até mesmo pessoas. É muito simples esquecer em quantas faces já bati com as minhas palavras rudes, nunca me dei o trabalho de contar quantos corações estraçalhei com a minha rispidez, não me deixei abater pelo impacto na vida alheia que a minha frieza causou. Sempre mascarei o meu coração de rocha por trás de uma personalidade egoísta, de uma personalidade esmagadora, que se camufla através de uma boa pessoa, atrativa, que conversa bem, que sabe cativar com palavras certas, que canta afim de encantar, mas na verdade te fisga e no final te deixa com migalhas. A troco de sanar alguma dor, de superar algum trauma, de descontar uma raiva de um alguém que nada faz referência a outro alguém. É cruel, é doloroso. No fim é um fato breve que apenas deixa marcas da mágoa.
' É mágoa, já vou dizendo de antemão se eu encontrar com você, tô com três pedras na mão. Eu só queria distância da nossa distância saí por aí procurando uma contramão... É mágoa, o que eu choro é água com sal, se der um vento é maremoto, se eu for embora não sou mais eu. Água de torneira não volta e eu vou embora. Adeus. '
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Die alone.
Sabe a sensação de morrer? Pois é. Agora se é literal ou não, não sei explicar. Me sinto morrendo de dentro pra fora. Tem dias que é na cabeça, tem dias que é nos pensamentos, tem dias que é no coração. Amanheço com algum tipo de disfunção sentimental, ou quem sabe só seja algo desregulado na minha circulação sanguínea. Carrego dores físicas, dores emocionais, dores do silêncio. Tenho dúvidas a respeito do meu padrão de viver, procuro o porquê de muitas coisas serem tão injustas e pouco compreendidas. Ao mesmo tempo que procuro o anonimato desse cantinho, queria que minhas palavras soltas pudessem ser cravadas do cérebro de algumas pessoas, de maneira que nunca fossem desprendidas, quem sabe substituídas. Vejo aos poucos lembranças morrendo dentro de mim, flashes que me esforço pra ver, já não consigo mais resgatá-los. Sinto pessoas que morrem em mim também, são sepultadas no meu interior, limadas do meu convívio. O pior de tudo creio que seja ter de enterrá-las vivas, ter de passar um borrão escuro em suas imagens pra que nunca mais elas possam ser vistas, ter de esquece-las quando tudo, absolutamente tudo é capaz de trazê-las de volta em milésimos de segundo. E quando já não se tem mais forças de pedir ajuda? De gritar? Chorar? Soltar os cachorros e dizer sem papa na língua tudo o que me aflige? Dói. É aí que entra ' a dor inevitável com o sofrimento opcional '. Tenho saída? Tenho respostas? Tenho escolhas? Quando a mente de esvazia, a oficina do diabo começa a se montar. Surtos aparecem, vontades estranhas, desejos sombrios, sentimentos macabros. A fé é abalada, sonhos são quebrados e talvez o futuro nem seja mais expectado. Penso que se afastar de tudo e todos pode ser algum tipo de fórmula de escape, alguma fórmula de não magoar quem eu amo. Resultado, morro aos poucos e sozinha, porque afinal, tudo dói.
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