Sabe a sensação de morrer? Pois é. Agora se é literal ou não, não sei explicar. Me sinto morrendo de dentro pra fora. Tem dias que é na cabeça, tem dias que é nos pensamentos, tem dias que é no coração. Amanheço com algum tipo de disfunção sentimental, ou quem sabe só seja algo desregulado na minha circulação sanguínea. Carrego dores físicas, dores emocionais, dores do silêncio. Tenho dúvidas a respeito do meu padrão de viver, procuro o porquê de muitas coisas serem tão injustas e pouco compreendidas. Ao mesmo tempo que procuro o anonimato desse cantinho, queria que minhas palavras soltas pudessem ser cravadas do cérebro de algumas pessoas, de maneira que nunca fossem desprendidas, quem sabe substituídas. Vejo aos poucos lembranças morrendo dentro de mim, flashes que me esforço pra ver, já não consigo mais resgatá-los. Sinto pessoas que morrem em mim também, são sepultadas no meu interior, limadas do meu convívio. O pior de tudo creio que seja ter de enterrá-las vivas, ter de passar um borrão escuro em suas imagens pra que nunca mais elas possam ser vistas, ter de esquece-las quando tudo, absolutamente tudo é capaz de trazê-las de volta em milésimos de segundo. E quando já não se tem mais forças de pedir ajuda? De gritar? Chorar? Soltar os cachorros e dizer sem papa na língua tudo o que me aflige? Dói. É aí que entra ' a dor inevitável com o sofrimento opcional '. Tenho saída? Tenho respostas? Tenho escolhas? Quando a mente de esvazia, a oficina do diabo começa a se montar. Surtos aparecem, vontades estranhas, desejos sombrios, sentimentos macabros. A fé é abalada, sonhos são quebrados e talvez o futuro nem seja mais expectado. Penso que se afastar de tudo e todos pode ser algum tipo de fórmula de escape, alguma fórmula de não magoar quem eu amo. Resultado, morro aos poucos e sozinha, porque afinal, tudo dói.
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