terça-feira, 15 de outubro de 2013

Nostalgically.

Imagino que apagar emails é uma forma de apagar a memória. Rasgar cartas, músicas e poemas são quase um alzheimer. Deleto fotos como se fossem palavras escritas à lápis. A verdade é que nenhum dos modos são eficientes, eles simplesmente falham. Falham a cada patética tentativa. Resolvi tirar a poeira do meu passado, fui vasculhar as migalhas que ficou. Ironicamente (ou não) eu gostei! Lágrimas tentaram escapar, o coração apertou, ri de mim, me xinguei e fiz chacota com a minha cara! Introspecção? Não. Eu diria que foi um resgate. Resgate da parte boa que eu deixei partir quando me envergonhei generalizadamente, enterrei tudo! O que era útil, o que não era. O que era fútil, o que não era. Deixei tanta coisa de lado, por vergonha de outras que transbordaram por cima delas. Sufoquei o que de bom existia em troco do silêncio. Deixei apenas a mente fazer barulho com ela mesma, não permiti a manifestação de absolutamente nada. Mas hoje foi diferente, apontei o dedo na minha cara por ter feito tudo isso! Senti vergonha por ter sentido vergonha do que sou, ou do que fui, sei lá. Apelei, tive que ouvir músicas, tive desdobrar cartas que jurei que nunca mais abriria-las, tive que ver fotos que deixei a memória apagar o cenário delas, tive que ouvir gravações minhas pra aguçar um pouco da paixão por certas coisas e pessoas. De pouco a pouco um parasita foi tomando de conta de incontáveis aspectos meus, e EU permiti! Eu aceitei a condição de cegueira parcial, aceitei ser degenerada e gerada por algo que não me nutria. Não me dei conta do preço que me propus a pagar, por instantes não pude ver o jogo que eu perdia, o xeque-mate que um pequeno pião me deu ao reinar tudo o que era meu, o que era natural e sincero. Olhando pra trás vejo os amores, os desamores, as bobagens que eu achava o máximo, as inconsequências que eu sempre fui convicta que não daria em nada. Compreendo um pouco mais o porquê de muita coisa, da mesma forma que ainda tem fatos que nunca entraram na minha cabeça, peças que jamais se encaixarão no meu quebra-cabeça. Isso é amadurecer ou recordar? Não sei, mas sinto orgulho do que vi.


' Deixava aquela música invadir a sala, pra preencher o espaço que você deixou, quem sabe você volta.. até a música parar..'

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